RELATÓRIOS APONTAM QUE O FACEBOOK PODE TENTAR REPLICAR E INCORPORAR RECURSOS DO WECHAT

RELATÓRIOS APONTAM QUE O FACEBOOK PODE TENTAR REPLICAR E INCORPORAR RECURSOS DO WECHAT

Já foi dito que o Facebook está procurando entrar no espaço de pagamento com sua própria criptomoeda. Caso seja bem-sucedida, essa medida pode replicar o popular WeChat da China, mas isso pode ser uma tarefa difícil para o gigante das redes sociais.

Conforme já noticiado aqui no BTC Brasil, a plataforma está desenvolvendo sua própria moeda digital, conhecida como Facebook Coin, que se conectaria ao dólar dos EUA e permitiria aos usuários transferir dinheiro através do aplicativo de mensagens WhatsApp, de propriedade da rede social.

Embora se diga que o Facebook se concentrará primeiro no mercado de remessas na Índia, analistas dizem que pode ser um precursor para a empresa aumentar sua oferta em pagamentos. Este movimento poderia ser uma oportunidade de receita de US$ 19 bilhões, segundo o Barclays.

WHATSAPP E FACEBOOK

O WhatsApp foi adquirido pelo Facebook em 2014. Desde então, o aplicativo se concentrou principalmente em mensagens e em algumas funções sociais. É o maior serviço de correio do mundo, capitalizando cerca de US$ 1500 milhões por mês.

Mas esse tipo de serviço tomou um caminho diferente na China. O WeChat, que tem mais de um bilhão de usuários e é propriedade da Tencent - a maior empresa de tecnologia da Ásia - é mais do que apenas um aplicativo de mensagens instantâneas. É o que alguns analistas chamam de "super aplicativo", pois oferece desde pagamentos móveis até a possibilidade de reservar voos e até mesmo jogar. Tudo sem sair do app.

WECHAT

Um dos recursos mais populares do WeChat é conhecido como WeChat Pay. Ele permite que os usuários comprem produtos on-line ou paguem em lojas físicas. Isso é feito exibindo um tipo de código de barras quadrado, conhecido como código QR, na tela do seu telefone.

O Facebook está tentando "replicar parte do sucesso que o WeChat teve", disse Barclays em nota, acrescentando que tornar-se "o WeChat do Ocidente, será difícil para o WhatsApp".

O analista do Barclays, Ross Sandler, comentou:

 

"O sucesso da Tencent com o WeChat pode ser atribuído a muitas diferenças estruturais entre o modo como as mensagens surgiram e os pagamentos da China. A Tencent concedeu acesso de primeira linha a empresas investidas como: Didi, Meituan e JD.com para compras diárias, que o WhatsApp provavelmente não conseguirá replicar".

 

Didi é a maior aplicação de transporte de passageiros na China. A Meituan é um serviço de entrega de alimentos e a JD.com é um dos principais players de comércio eletrônico do país.

Nesse sentido, Sandler acrescentou:

 

"Além disso, o ecossistema de pagamento móvel na China desenvolveu-se de maneira muito diferente do que vemos no Ocidente e na maioria dos mercados do WhatsApp".

 

REPLICAR OU NÃO O WECHAT

Um representante do Facebook escolheu não responder às perguntas feitas pela CNBC sobre se se trata de replicar o WeChat e observou que a empresa não tinha "nada mais a compartilhar" em relação aos esforços para criar um sistema de pagamento maior.

A este respeito, o porta-voz do Facebook comentou:

 

"Como muitas outras empresas, o Facebook está explorando maneiras de aproveitar o poder da tecnologia blockchain. Esta nova equipe pequena está explorando muitas aplicações diferentes".

 

Em 2018, a empresa de pesquisa eMarketer afirmou que espera que mais de 45% da população da China tenha usado pagamentos móveis. Em comparação com pouco mais de 20% nos Estados Unidos.

Os consumidores chineses ignoraram em grande parte os cartões de crédito e adotaram o pagamento da WeChat e sua concorrente Alipay, que é de propriedade da Ant Financial, uma subsidiária da Alibaba.