MAIS DE 40 BANCOS CENTRAIS ESTÃO CONSIDERANDO APLICAÇÕES BLOCKCHAIN, APONTA RELATÓRIO DO WEF

MAIS DE 40 BANCOS CENTRAIS ESTÃO CONSIDERANDO APLICAÇÕES BLOCKCHAIN, APONTA RELATÓRIO DO WEF

Mais de 40 bancos centrais em todo o mundo estão experimentando a tecnologia Blockchain, de acordo com um novo relatório do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês).

O documento analisa de que forma diferentes instituições financeiras tradicionais estão procedendo para examinar que Blockchain podem usar ou estão experimentando diretamente com moedas digitais do banco central (CBDC, na sigla em inglês).

SOBRE O RELATÓRIO

O líder de projetos com Blockchain e tecnologia de contabilidade distribuída no Fórum Econômico Mundial e principal autor do relatório, Ashley Lannquist, comentou:

 

"Até agora, o trabalho piloto e de experimentação sobre esta questão produziu alguns resultados mistos, alguns resultados otimistas, e o resumo de onde estamos agora é que os bancos centrais estão se movendo com cautela, mas muito envolvidos na pesquisa".

 

Ele contabilizou pelo menos 44 bancos centrais diferentes que estão explorando, pesquisando ou ativamente experimentando a tecnologia descentralizada, com a intenção de emitir uma moeda digital no futuro.

E então acrescentou:

 

"Atualmente, esses bancos precisam lidar com uma série de problemas técnicos e políticos. Do ponto de vista técnico, as instituições devem garantir que seus novos sistemas funcionem conforme planejado e se estão preservando com precisão os dados. Eu diria que nos próximos dois anos, especulando para o futuro e sendo um pouco conservador, esperaria que alguns bancos centrais emitissem uma moeda digital do banco central e isso é porque sabemos que pelo menos alguns estão fazendo isso".

 

O Banco Nacional do Camboja, por exemplo, planeja incorporar a tecnologia Blockchain ao seu sistema nacional de pagamentos até o final deste ano.

PROBLEMAS PARA RESOLVER

Conforme observado na análise de Lannquist, o banco cambojano está tentando resolver dois problemas: muitos dos residentes do país não têm serviços bancários ou não têm todos os serviços, e o sistema bancário em si não é muito eficiente. Ele comentou:

 

"Atualmente, eles têm um sistema de pagamento interno muito fragmentado e muitos [residentes] não têm serviços bancários. Em vez de usar o banco, usam aplicativos de pagamento privados que nem sequer usam o banco, então às vezes eles não podem pagar um ao outro".

 

De acordo com Lannquist, o novo sistema de pagamento baseado em Blockchain pode servir para unir alguns desses aplicativos de pagamentos díspares, oferecendo serviços de pagamento e liquidação mais eficientes para os residentes do Camboja.

O que talvez mais surpreenda os planos desse país é o fato de o banco não começar com um programa piloto, mas com uma implantação em grande escala com 10 instituições financeiras.

TRABALHO DO WEF

Em sua conferência anual em Davos, na Suíça, o WEF também introduz muitos desses bancos para especialistas no espaço de criptografia, como outra ajuda para o espírito de colaboração. Sobre esse aspecto, Lannquist comentou:

 

"Estamos conectando a comunidade técnica da Blockchain aos bancos centrais para ajudá-los. Organizo seminários online e reuniões presenciais periodicamente, então conectamos esses especialistas aos bancos. Nós também trazemos acadêmicos. Até agora, a iniciativa provou ser muito valiosa para os bancos centrais e esperamos que continue a ser útil".

 

Ainda assim, pelo menos por enquanto, os bancos centrais estão silenciosamente procurando por ferramentas Blockchain. Lannquist disse que espera ver um progresso continuado nos próximos meses, mas, o mais importante, é que "algumas conclusões estejam sendo tiradas".

Especificamente, ele espera que cada um dos bancos centrais que analisam a tecnologia de contabilidade distribuída (DLT) decida se considera a tecnologia útil ou não.

SISTEMAS DE PAGAMENTO DLT

Uma área que provavelmente se beneficiará de sistemas baseados em DLT, especificamente incluindo moedas digitais de bancos centrais, são os mercados emergentes, como o Camboja.

Atualmente, os pagamentos interbancários domésticos e as liquidações em muitas economias em desenvolvimento são ineficientes, explicou Lannquist, acrescentando:

 

"Os sistemas de pagamento DLT apoiariam a economia e os bancos.  Em relação às moedas digitais dos bancos centrais, muitos países têm sistemas de pagamento bastante segmentados e outros bastante unificados, embora seja um sistema nacional, ou melhor, remessas transfronteiriças, poderia reduzir o custo dos pagamentos digitais".

 

Finalmente, o principal autor do relatório comentou que as moedas do Banco Central - que são uma forma digitalizada de dinheiro fiduciário - também podem ser mais fáceis de serem usadas pelos residentes, o que ajudaria essas instituições financeiras a emitir moeda estrangeira e, com isso, "poderiam enviar pagamentos em sua própria moeda fiduciária com mais facilidade do que em dólar".