DESINFORMAÇÃO NÃO IMPEDE ADOÇÃO DE CRIPTOMOEDAS EM PAÍSES EMERGENTES, SEGUNDO ESTUDO

DESINFORMAÇÃO NÃO IMPEDE ADOÇÃO DE CRIPTOMOEDAS EM PAÍSES EMERGENTES, SEGUNDO ESTUDO

A falta de conhecimento sobre a tecnologia criptográfica e o acesso a informações confiáveis não são limitações para se adotar criptomoedas, segundo a opinião dos cidadãos dos países emergentes. Já nos mercados europeus, o pensamento é diferente.

Essas concepções fazem parte de um estudo intitulado "Por que as pessoas compram criptomoedas?", que foi baseado numa pesquisa realizada on-line para uma amostra de mil pessoas que vivem em 10 países do continente africano, asiático e europeu, concentrando-se principalmente na população sul-africana.

Os pesquisadores apontaram que os entrevistados da África do Sul, Indonésia e Malásia não limitaram a adoção de criptomoedas devido à falta de conhecimento na área, mesmo afirmando que eles têm acesso suficiente às informações sobre o assunto para compreendê-lo. Essa tendência de pensamento diferiu da dos residentes europeus que dão importância à informação antes de investir em novas tecnologias e consideram que não conhecem criptomoedas o suficiente.

 

"Na Europa, as pessoas alegaram não ter conhecimento suficiente (acesso à informação) para comprar ou usar criptomoedas, enquanto na África do Sul, Indonésia e Malásia esse não era um grande problema. As pessoas se sentiam confiantes e declararam acesso a informações suficientes".

Luno e Kantar TNS

 

Esse comportamento já foi percebido anteriormente no mercado europeu - assim como nos Estados Unidos e no Japão -, já que, em grande parte, os investidores desse continente expressaram que não sabem o suficiente sobre criptomoedas para arriscar investir nelas, bem como exigiram uma regulamentação unitária dessas tecnologias, com vistas a introduzi-las em seus negócios de maneira legal.

A pesquisa também revelou dados sobre a familiarização e adoção de criptomoedas na África do Sul e em outros países emergentes: uma proporção significativa de respondentes na Malásia, Indonésia e África do Sul conheciam ou possuíam criptomoedas; ultrapassando em adoção as porcentagens do mercado europeu.

Nesse sentido, o estudo mostrou que 69% dos entrevistados sul-africanos sabiam sobre criptomoedas e 39% eram proprietários de criptoativos - porcentagens que eram consistentes com o poder de compra de seus entrevistados. Por outro lado, as taxas de adoção na Europa permaneceram as mesmas de outras pesquisas, afirmando um total de 19% de adoção na França, 9% na Alemanha e 14% de detentores de criptomoedas na Itália.

No entanto, é importante notar que a amostra do estudo sobre a adoção é tendenciosa porque foi realizada via Internet. Essa modalidade permitiu perceber que nos países onde há maior penetração da Internet nas populações mais pobres, - como esse é o caso na Europa - as pesquisas eram muito mais variadas em seu nível socioeconômico; enquanto nos países emergentes, continuavam concentradas nas classes sociais superiores.

INVESTIMENTOS E MAIS INVESTIMENTOS

Entre outros resultados, a pesquisa destacou que o mercado Bitcoin continua a ser líder no ecossistema de criptomoeda, embora também tenha sido reconhecido que as altcoins ganharam popularidade e continuam crescendo em ritmo acelerado.

Da mesma forma, entre os detentores de criptomoeda na África do Sul, 83% dos entrevistados confirmaram que usam suas economias em criptomoedas para investimento, sendo a principal motivação para adquirir criptoativos. Apenas 23% dos proprietários usam essas moedas criptografadas para pagar produtos e serviços on-line e 12% fazem transferências entre familiares e amigos.

Por outro lado, em relação aos desafios que o mercado de criptomoedas representa para os residentes sul-africanos, os entrevistados confirmaram que a confiabilidade e a segurança são as questões mais relevantes; já que a volatilidade dos mercados, a imprensa negativa, os golpes na internet e a falta de adoção maciça geram más expectativas no "comércio".

Por exemplo, embora 40% dos entrevistados considerem as criptomoedas como um investimento seguro e 61% dizem que tem sido um investimento altamente benéfico, 48% deles temem perder seu dinheiro em esquemas de phishing que proliferam na web.

Da mesma forma, 47% consideram que não existem casas de câmbio seguras ou de fácil acesso, que podem ser usadas para comercializar seus ativos criptográficos, e 39% acreditam que não há estabilidade nos preços dos ativos criptográficos e 25% afirmam que seus parentes e amigos próximos não têm uma percepção positiva em relação às criptomoedas, o que limita o investimento nelas.

Por último, mas não menos importante, o estudo também forneceu dados interessantes sobre os gêneros que estão se envolvendo no ecossistema de criptomoeda, com uma alta preponderância de homens representando 36% dos investimentos e um grupo de mulheres de apenas 19 % interessado em criptoativos.

A África do Sul é um dos países do continente africano que mais se envolveu com o mundo das criptomoedas. As autoridades deste país já começaram a discutir a "invasão" desses ativos criptográficos em seu mercado financeiro, recentemente impondo taxas de impostos, discutindo a possibilidade de rastrear as transações de criptomoeda realizadas dentro do país e envolvendo-se em um golpe avaliado em 50 milhões de dólares.